Por que quase metade dos anfitriões ganhou menos num ano em que o mercado cresceu
Quem pensa em colocar um imóvel no Airbnb costuma começar pelo mercado. Se a procura por temporada está subindo e as manchetes falam em faturamento recorde, parece razoável supor que o imóvel vai acompanhar a onda.
Em julho de 2026, a AirROI, uma empresa americana de dados de locação de curta temporada, publicou um levantamento que põe essa suposição à prova. O estudo seguiu os mesmos 83.892 anúncios por dois anos e comparou cada imóvel com ele mesmo. Na média, o mercado cresceu. Quase metade dos anfitriões, no entanto, terminou o ano ganhando menos.
O que o estudo mediu
A comparação foi entre dois períodos de doze meses, de julho de 2024 a junho de 2025 e de julho de 2025 a junho de 2026, em 20 mercados americanos, entre eles Miami, Las Vegas, Austin, Phoenix e San Diego. Só ficaram na amostra os anúncios ativos nos dois períodos.
Os resultados principais:
- 81% dos anfitriões aumentaram a diária, com alta mediana de 12%.
- O anúncio mediano perdeu 18,3% das noites reservadas, e a ocupação caiu 4,58 pontos percentuais.
- A receita mediana subiu 6,8%.
- 47% dos anúncios faturaram menos do que no ano anterior.
- Em quatro mercados a receita mediana caiu: Las Vegas (-8,3%), Austin (-6%), Cape Coral (-4,5%) e Dallas (-3,6%).
O próprio autor reconhece que esses números provavelmente suavizam a realidade. Quem desistiu de operar no meio do caminho saiu da amostra, e é razoável imaginar que essas pessoas tiveram os piores resultados.
Por que a média engana
Uma receita mediana 6,8% maior parece um bom ano. O autor do estudo, Jun Zhou, descreve a distribuição por trás desse número como algo "perto de um cara ou coroa", já que para quase metade dos imóveis o ano foi pior.
A diferença aparece quando se compara o topo com o meio. Em 19 dos 20 mercados, os 25% melhores anúncios se afastaram do anúncio mediano: na média dos mercados, eles faturavam 2,1 vezes o que o anúncio típico faturava e passaram a faturar 2,45 vezes.
Segundo a AirROI, isso acontece porque, quando a demanda desacelera, a reserva que ainda existe vai para o anúncio melhor, e os demais ficam com menos.
O preço sozinho não resolveu
A reação mais comum foi subir a diária, e para muitos anfitriões a conta não fechou. A alta mediana de 12% no preço veio junto com uma queda mediana de 18,3% nas noites vendidas. Dallas é um bom exemplo: a diária subiu 16%, as noites reservadas caíram 30%, e a receita mediana terminou no negativo.
Baixar o preço também não se mostrou uma saída. O estudo não encontrou sinal de que os anfitriões que cobraram menos tenham se saído melhor. O resultado dependeu mais da posição do anúncio frente aos concorrentes do que da diária em si.
Para quem já opera, a AirROI deixa um diagnóstico direto: o aumento de preço provavelmente funcionou, o calendário provavelmente não, e vale descobrir qual dos dois está segurando a receita.
Há ressalvas. Dallas, Miami e Atlanta receberam jogos da Copa do Mundo em 2026, o que inflou as diárias nessas cidades, e Asheville perdeu oferta por causa de um furacão. Ainda assim, o padrão aparece em quase todos os mercados da amostra.
E São Paulo?
Nenhuma cidade brasileira entrou no estudo, então os números americanos não podem ser transportados para cá. Dá para comparar, porém, as condições que levaram a esse resultado, e várias delas já estão presentes em São Paulo.
Segundo o painel público da AirDNA, a cidade tinha 61.357 anúncios ativos em junho de 2026, 23% a mais do que um ano antes. No mesmo período, a ocupação média ficou em 54% e a diária média subiu apenas 0,7%. A receita total do mercado cresceu, só que repartida entre muito mais imóveis.
E ainda vem mais oferta por aí. O estoque de studios de até 30 m² à venda na capital cresceu 71% em doze meses e chegou a 10,9 mil unidades, segundo o Secovi-SP, em dados até junho publicados em setembro de 2026. Boa parte desses imóveis é comprada para locação de curta temporada e vai disputar o mesmo hóspede.
Nos EUA, foi com oferta crescendo rápido e diária quase parada que as reservas passaram a se concentrar nos melhores anúncios. Isso não prova que São Paulo vai seguir o mesmo caminho. Mostra, pelo menos, que saber se o mercado está crescendo ajuda pouco a prever o resultado de um imóvel específico.
O que separa os anúncios que ficam com a reserva
A AirROI não lista os fatores que levam um anúncio ao topo. Cita apenas duas vantagens que levam tempo para construir: um histórico longo de avaliações e o relacionamento direto com hóspedes. Um anúncio recém-lançado começa sem nenhuma das duas e disputa a mesma demanda que os concorrentes já estabelecidos.
O Airbnb aponta na mesma direção. O selo "Preferido dos hóspedes", segundo a Central de Recursos da plataforma, destaca os imóveis mais bem avaliados a partir de notas, avaliações e dados de confiabilidade de mais de meio bilhão de viagens, e os 10% melhores entre os elegíveis ganham ainda um destaque de Top 1%, 5% ou 10%. O que a plataforma mostra ao hóspede, em outras palavras, é o histórico da operação.
No dia a dia, a diferença entre dois anúncios do mesmo bairro costuma vir de alguns pontos. O histórico de avaliações é o primeiro, porque volume e nota geram confiança, e uma estadia ruim continua pesando por muito tempo. A confiabilidade vem logo depois: cancelamento pelo anfitrião, imóvel diferente das fotos e problema no check-in derrubam a posição do anúncio. A apresentação (fotos, título, descrição) pesa na decisão de clicar e, depois, na de reservar. E a precificação precisa acompanhar a demanda, que muda com o dia da semana, com os eventos na cidade e com a antecedência da reserva. Uma diária fixa perde dinheiro nos dias de pico e deixa noites vazias nos dias fracos.
O que isso muda para quem investe
Quem está pensando em comprar um imóvel de temporada deveria começar perguntando em que posição ele vai competir, porque o crescimento do mercado, sozinho, não garante renda. A projeção também muda. A diária média do bairro continua sendo uma referência útil, mas a conta tem que partir das noites que um anúncio novo, sem avaliações, consegue vender.
A AirROI sugere uma regra conservadora para quem compra: assumir que o imóvel vai ficar abaixo da mediana do mercado e ver se o investimento ainda se paga nesse cenário. Se só fecha com o imóvel entre os melhores do bairro, o risco é maior do que a planilha mostra.
Quem já opera sozinho deveria olhar o calendário com a mesma atenção que dá à diária. Se a receita só se mantém porque o preço subiu, e as noites vendidas estão caindo, o anúncio pode estar perdendo espaço para os concorrentes sem que o extrato do mês deixe isso claro.
Onde a Cyclinn entra
É por isso que a Cyclinn começa a análise antes da gestão, qualificando o imóvel pela região, pelo projeto e pelo valor de compra. Depois vêm a precificação dinâmica, a operação e o acompanhamento das avaliações, que são justamente os pontos em que um anúncio ganha ou perde posição.
Até agosto de 2026, os imóveis geridos pela Cyclinn somavam 17.594 avaliações no Airbnb, com nota média de 4,83, segundo levantamento da própria empresa com base nos dados públicos da plataforma. Esse é o tipo de histórico que um anúncio novo ainda não tem e que, segundo o estudo da AirROI, pesa a favor de quem já está estabelecido.
Se você tem ou pensa em comprar um imóvel para locação de temporada e quer entender em que posição ele competiria, fale com a Cyclinn.
Perguntas frequentes
Se o mercado de temporada está crescendo, meu imóvel vai render mais?
Não necessariamente. No estudo da AirROI com 83.892 anúncios nos EUA, a receita mediana subiu 6,8% entre 2025 e 2026, mas 47% dos anúncios faturaram menos do que no ano anterior. O crescimento ficou concentrado nos anúncios mais bem posicionados.
Subir a diária é uma boa forma de compensar a queda de reservas?
Depende do imóvel e do mercado. No estudo, 81% dos anfitriões subiram a diária (alta mediana de 12%), mas o anúncio típico perdeu 18,3% das noites reservadas, e em quatro mercados a receita mediana caiu. Cobrar menos também não deu melhor resultado. O que fez diferença foi a posição do anúncio frente aos concorrentes.
Esses dados valem para São Paulo?
O estudo cobre só mercados americanos, então os números não se aplicam diretamente. As condições, porém, se parecem: segundo a AirDNA, São Paulo tinha 61.357 anúncios ativos em junho de 2026, 23% a mais do que um ano antes, e a diária média subiu 0,7% no período. Mais oferta com preço estável é o cenário em que a disputa por reserva fica mais desigual.
O que faz um anúncio ficar entre os melhores do mercado?
Os fatores mais citados são o histórico de avaliações, a confiabilidade da operação (sem cancelamentos e sem surpresas no check-in), a apresentação do anúncio e uma precificação ajustada à demanda. O selo "Preferido dos hóspedes" do Airbnb, por exemplo, considera notas, avaliações e dados de confiabilidade.
Como avaliar se vale a pena comprar um imóvel para Airbnb em 2026?
Uma forma prudente é projetar a receita pelas noites que um anúncio novo, sem avaliações, consegue vender, e testar se a conta fecha com o imóvel abaixo da mediana do bairro. Também entram na análise o preço de compra, os custos de operação e quem vai cuidar da gestão.
Conclusão
Nos 20 mercados acompanhados pela AirROI, o Airbnb cresceu e, ainda assim, quase metade dos anfitriões ganhou menos, enquanto os melhores anúncios se afastaram dos demais em 19 desses mercados. A média de um mercado descreve o conjunto e diz pouco sobre cada imóvel.
Em São Paulo, a oferta cresceu 23% em um ano e a diária ficou praticamente parada. Para quem investe aqui, a pergunta que mais importa é em que posição o imóvel vai disputar o hóspede.
Fontes: AirROI, "Was 2026 a Better Year to Own an Airbnb? We Tracked 83,892", por Jun Zhou, publicado em 29/07/2026 (painel de 20 mercados dos EUA, jul/2024-jun/2025 contra jul/2025-jun/2026); AirDNA, painel público de São Paulo (junho de 2026, comparação com junho de 2025); Secovi-SP via Portas, "Estoque de estúdios cresce 71% em São Paulo e vendas desaceleram", 14/09/2026; Airbnb, Central de Recursos, "What to know about the highlight for top homes", 12/11/2025; dados próprios da Cyclinn (base de avaliações públicas do Airbnb, coleta de 26/08/2026). Última atualização: setembro de 2026.









